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A EDUCAÇÃO REVISITADA

Authors

Alana Mendes Ferreira Pinto1*, Jovana Benedita Nascimento Silva2, Ozenê Reis Martins3, Roselia Beatriz Oliveira Mendes4
1Licenciada em Letra-Inglês-UFMA. Pós-graduação Psicopedagogia clínica e institucional – CAPEM. Faculdade Evangélica de Salvador. https://orcid.org/0009-0000-2024-9215.
2Licenciada em Letras- UFMA- PROEB. Licenciada em Pedagogia- FATEH. Pós-Graduação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira – IESF. Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional e Clínica – IESF. Pós-Graduação em Envelhecimento Humano em Perspectiva Multidisciplinar – UNIFAAT. https://orcid.org/0009-0009-7540-2147.
3Licenciado em Ciências Exatas com Licenciatura Plena em Matemática -UEMA, Licenciatura Plena em Pedagogia-Faculdade Santa Fé. Pós-graduação em Supervisão escolar e Orientação escolar – Faculdade Santa Fé. https://orcid.org/0009-0005-4227-8566.
4Licenciada em Pedagogia – UEMA. Filosofia - Faculdade Pan Americana. Ciências da Religião -IESEMA. Pós-Graduação Psicopedagoga Clínica e Institucional - Faculdade De Tecnologia Equipe Darwin. https://orcid.org/0009-0008-3424-1669.

Article Information

*Corresponding author: Alana Mendes Ferreira Pinto, Licenciada em Letra-Inglês-UFMA. Pós-graduação Psicopedagogia clínica e institucional – CAPEM. Faculdade Evangélica de Salvador. https://orcid.org/0009-0000-2024-9215.

Received: September 15, 2026        |          Accepted: September 28, 2026        |          Published: October 13, 2026

Citation: Ferreira Pinto AM, Nascimento Silva JB, Ozenê R Martins, Oliveira Mendes RB., (2026) “A EDUCAÇÃO REVISITADA” Journal of Social and Behavioral Sciences, 4(2); DOI: 10.61148/3065-6990/JSBS/079.

Copyright: ©2026. Alana Mendes Ferreira Pinto. This is an open access article distributed under the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

Abstract

Resumo: O texto discute a evolução da educação desde seu caráter intuitivo nas sociedades primitivas até os desafios atuais impostos pela sociedade tecnológica. Embora a escola contemporânea busque integrar recursos digitais ao processo de ensino, essa tendência muitas vezes desvaloriza o professor e pode reduzir sua atuação a mero operador de máquinas. A falta de consenso sobre o conceito de Tecnologia Educacional gera usos inadequados, que por vezes substituem práticas humanísticas essenciais. O texto também questiona as fragilidades herdadas da antiga escola e os equívocos do modelo atual, marcado por interesses mercadológicos, despreparo docente e influência negativa dos meios de comunicação. Ao comparar o comportamento dos alunos de ontem e de hoje, destaca-se o impacto das mudanças sociais e familiares no ambiente escolar. A tecnologia, embora transformadora, exige uso responsável e formação contínua dos professores para promover uma educação realmente significativa.

 

Education Revisited

Abstract: The text discusses the evolution of education from its intuitive nature in early human societies to the current challenges imposed by technological society. Although contemporary schools seek to integrate digital resources into the teaching process, this trend often devalues the teacher and may reduce their role to that of a mere machine operator. The lack of consensus on the concept of Educational Technology leads to inadequate uses that can replace essential humanistic practices. The text also questions the weaknesses inherited from traditional schooling and the mistakes of the current model, marked by market-driven interests, unprepared teachers, and the negative influence of mass media. By comparing the behavior of students from past and present generations, the text highlights the impact of social and family changes on the school environment. Technology, though transformative, requires responsible use and continuous teacher training to promote truly meaningful education.

Keywords: Educational Technology. Teacher. Contemporary Education.

Keywords:

Tecnologia Educacional. Professor. Ensino Contemporâneo

Introduction:

A tarefa de educar figura como a mais sublime dentre todas as atividades humanas. Nos primórdios da humanidade, muito antes de se imaginar a existência de escolas, o ato de educar talvez fosse algo essencialmente intuitivo. Provavelmente educava-se, naquele tempo, visando unicamente à manutenção da hierarquia familiar, além de promover a união de indivíduos em favor do bem comum. O tempo passou, e as sociedades subsequentes evoluíram de forma dispersa, mas a ideia inicial de educação permaneceu praticamente imutável ao longo dos séculos. A diáspora social produziu diversas ramificações, originando diferentes formas culturais, e uma dessas vertentes chegou até nós sob a denominação de Sociedade Tecnológica ou Civilização Tecnológica.

Está claro que educar, hoje, não significa apenas assegurar a manutenção da hierarquia familiar, tampouco garantir algum tipo de união futura ou atual. Educar significa, sobretudo, preparar os jovens para enfrentar o futuro com dignidade, ensinando-lhes uma profissão e fornecendo conhecimentos que os coloquem no universo das comunicações e das tecnologias de sua época. Entretanto, a hierarquia familiar continua existindo, ainda que, em certos casos, se apresente de modo degenerado e visivelmente corrompido.

Por isso, a educação contemporânea vem se estruturando no ensino do conhecimento prévio dos instrumentos eletrônicos modernos e em sua imediata utilização nos diversos métodos didáticos. Conclui-se, assim, que essa metodologia de ensino por meio de máquinas passou a integrar o complexo universo da Tecnologia Educacional, chegando mesmo a impor novos procedimentos às práticas de educar e produzindo impacto desconfortante para a classe dos trabalhadores da educação.

Arte E Técnica1

Tecnologia Educacional não é algo fácil de ser definido, não podendo ser expressa apenas por meio dos exemplos das práticas atuais de ensino. Qualquer sistema organizado de ensino sempre possuiu um conjunto de técnicas, independentemente da época. Assim, mesmo quando se utilizavam apenas giz, régua e compasso de madeira, o simples uso desses instrumentos já poderia ser considerado tecnologia. Eram instrumentos que hoje chamamos de primitivos, mas que representavam o que havia de mais moderno naqueles dias. Arte e técnica sempre estiveram intrinsecamente ligadas: a arte como expressão criativa e a técnica como o conjunto de procedimentos e métodos necessários para concretizá-la. A técnica se manifesta no uso de materiais como o compasso, a régua, o esquadro e o giz, elementos que possibilitavam a realização da expressão artística e educativa.

Sabemos que, até hoje, não há uma conclusão definitiva sobre o que seja, de fato, Tecnologia Educacional. Ninguém compreendeu claramente o que o termo pode significar, e nada se consolidou como consenso. Assim, cada autor apresenta sua própria compreensão. Muitos confundem Tecnologia Educacional com a simples aplicação de métodos audiovisuais às práticas de ensino, argumentando que vivemos em uma sociedade tecnológica e que não seria possível manter escolas e alunos alheios a essa realidade. No entanto, devemos ter cuidado para que o uso desmedido de meios eletrônicos não substitua outras tecnologias mais humanas, nem conduza o aprendizado à banalização, desviando a escola de seus objetivos mais essenciais. Isso sem mencionar o risco de desrespeitar a condição profissional do professor, que, ao ter sua atuação reduzida no ambiente escolar, pode tornar-se um alienado espiritual, precisando apenas aprender a manusear máquinas “inteligentes”.

O professor, enquanto o mais antigo veículo de transmissão de conhecimento, não pode ser deixado à margem, ainda que alguns precipitados desejem substituí-lo por máquinas. A tendência da escola moderna tem sido afastar o professor de suas atribuições

1 Na filosofia de Aristóteles Arte e Técnica são inseparáveis: a arte é a expressão criativa com objetivo estético, enquanto a técnica é o conjunto de procedimentos práticos para realizar essa expressão. Toda produção artística exige o domínio de técnicas específicas, como as de pintura ou escultura, que são os métodos e as ferramentas utilizados na criação da obra. tradicionais, reduzindo-o, futuramente, à função de mero operador de computadores e outros instrumentos tecnológicos.

Assim sendo, algumas questões emergem: não estaria o conteúdo disciplinar da antiga escola impregnado de diversos erros, além de sobrecarregar os alunos com conhecimentos muitas vezes inúteis? A aprendizagem deficiente por parte dos alunos não seria fruto do despreparo de professores que também foram vítimas de um ensino precário? A escola, como instituição, e o professor, como mediador entre escola e aluno, não vêm sendo desvalorizados ao longo dos anos por políticas dissociadas de qualquer compromisso moral com o bom ensino?

Essas questões merecem análise cuidadosa, pois os modelos educacionais antigos não eram, e não são, perfeitos. Ensinava-se muito conteúdo supérfluo, sem grande contribuição para o desenvolvimento profissional futuro do aluno. Ainda assim, a antiga escola valorizava a transmissão humanística do conhecimento, na qual o professor chegava ao aluno de maneira direta e significativa. Por outro lado, os processos educacionais contemporâneos parecem, de forma tumultuada, tentar vingar-se das deficiências herdadas do passado colonial. Os meios de comunicação de massa, exagerando em sua liberdade, recusam-se a produzir mensagens educativas e despejam informações superficiais, licenciosas e contraculturais, prejudicando sobretudo a juventude.

As escolas tentam simular alinhamento com o progresso tecnológico para atrair mais alunos, revelando o despreparo de educadores e a ganância de proprietários que buscam lucros acima da qualidade do ensino. O modelo educacional atual transita de um arcaísmo para a modernidade, deixando um grande vazio entre ambos. Nossos educadores, ao tentar preencher esse abismo, inseriram tecnologias avançadas nos métodos de ensino, mas que nem sempre atendem aos anseios dos alunos ou às necessidades de um ensino metódico, filosófico e humano, que valorize o professor e preserve a dignidade da escola.

A chegada da tecnologia à escola foi revolucionária, ou melhor, espantosa. Percebemos que os estudantes foram, e ainda são, os primeiros a utilizar os novos recursos tecnológicos, trazendo satisfação para alguns e frustração para outros. Crianças atentas motivadas em sala sempre foram um desafio para pais e educadores, e a interatividade, tão presente no cotidiano atual, torna ainda mais difícil captar sua atenção. Nesse contexto, o uso da tecnologia deve ser um aliado do ensino, sobretudo na educação infantil. É importante lembrar que as crianças crescem em um cenário totalmente distinto do vivido pelas gerações anteriores, e mudanças são bem-vindas. Ferramentas tecnológicas ampliam possibilidades e permitem um ensino personalizado, atendendo individualmente às necessidades de cada aluno. Os resultados, quando bem aplicados, tendem a ser surpreendentes.

Tecnologia e educação se interligam para transformar o ensino, criando experiências mais dinâmicas, acessíveis e personalizadas por meio de plataformas digitais, inteligência artificial, robótica e ensino híbrido. Essa integração busca desenvolver habilidades do século XXI, aumentar o engajamento dos alunos e democratizar o acesso ao conhecimento, embora traga consigo desafios como desigualdade de acesso, custos elevados e necessidade de formação continuada dos professores. É urgente discutir como a tecnologia pode melhorar a comunicação entre todos os envolvidos no processo de aprendizagem.

Tecnologia É A Linguagem Pela Qual A Ciência Se Manifesta

A integração da tecnologia ao ensino transforma métodos e amplia formas de interação. A inserção de recursos tecnológicos na sala de aula permite personalizar a aprendizagem e favorecer o ritmo e o estilo individual de cada estudante. Empregar tecnologia na educação é um desafio que precisa ser superado com responsabilidade e compromisso com a realidade. Muitas instituições, em busca de lucro, contratam ex-alunos recém-formados que aceitam baixos salários, resultando em ensino pobre, já que muitos desses profissionais não têm experiência, não são habituados à pesquisa e, em alguns casos, tiveram uma formação acadêmica limitada. Assim, tornam-se professores que ministram aulas com base apenas no pouco que aprenderam, sem inovação e com pouco engajamento.

A tecnologia abre possibilidades transformadoras para quem sabe utilizá-la. O ensino remoto, a gamificação e o uso de inteligência artificial facilitam e aceleram a compreensão dos alunos. Os professores precisam cada vez mais buscar aperfeiçoamento e atualização, lembrando que as máquinas devem realizar tarefas repetitivas ou enfadonhas, mas jamais substituir o papel humano na educação.

Retornando à escola antiga, é possível comparar o comportamento dos alunos de ontem com o dos alunos de hoje. Antes, os estudantes mantinham silêncio e respeito à hierarquia escolar. Quando o professor entrava, todos se levantavam e só se sentavam quando autorizados. Durante a aula, ninguém falava sem permissão, e dúvidas eram apresentadas com respeito. Havia também o Bedel, responsável por fiscalizar o comportamento dos alunos na ausência do professor, figura temida por aplicar punições quando necessário.

Hoje, muitos alunos, especialmente de escolas públicas, vêm de famílias desestruturadas, marcadas por conflitos e violências, que se refletem no ambiente escolar. Agressões e desrespeito tornaram-se frequentes, levando professores a abandonar a carreira. Enquanto isso, as autoridades pouco fazem para reduzir esse cenário, já que enfrentar o problema de modo efetivo poderia comprometer interesses políticos.

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  16. Submissão: julho de 2025. Aceite: agosto de 2025. Publicação: novembro de 2025.